Ontem deu-se a manifestação Geração à Rasca.
Portugal mostrou a sua voz, as suas indignações, as suas necessidades, os seus quereres. Portugal falou. Portugal esteve bem, quem foi manifestar-se esteve bem. Resta-me no entanto a pergunta - quantos dos que se manifestaram, foram às urnas votar nas, não vamos mais longe, últimas duas eleições de portugal?
Para mim, é simples - muito menos. E por uma razão: a diferença que existe entre a ideia de quanto vale um só, e quanto valem vários sós.
- O voto é secreto, é único, é individual, é um simples papel.
- A manifestação é colectiva, tem voz, é de todos, é vista por todos.
As pessoas não acreditam no poder individual, as pessoas não acreditam no seu próprio poder. As pessoas não acreditam em si, as pessoas não acreditam nas suas capacidades, as pessoas não acreditam que cada um de nós, com a sua ausência ou presença, está a contribuir para um dos lados. As pessoas não acreditam em espelhos, na capacidade de nos fazermos reflectores.
As pessoas não se acreditam, excepto quando há várias pessoas a não acreditar na mesma coisa - aí a sociologia vence em detrimento da psicologia do ser.
Dito isto, resta-me espenicar o refrão da letra da música dos homens da luta em jeito de manifesto, e em amizade à minha consciência, com a seguinte alteração.
E o povo avança é na rua a gritar
mas nas urnas se não votar
de noite ou dia, a luta é uma inglória alegria
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